Parque Natural das Lagoas de Cufada

   

 


Fauna

Vertebrados

Mamíferos

Com base nas missões de campo já efectuadas e na bibliografia disponível,
são de referir as seguintes espécies e subespécies.

Espécie ou subespécie Nome vulgar Biótopo Abundância Notas
PRIMATES        
Cercopithecus c. campbelli macaco-mona      
Cercopithecus nictitans stampfii   palmares  

(1)

Chlorocebus aethiops sabaeus macaco-de-tarrafe      
Colobus polykomus macaco-fidalgo floresta densa localizado  
Erythrocebus patas macaco-fula      
Pan troglodytes verus chimpanzé; dari floresta densa
ou aberta
frequente ?

(2)

Papio cynocephalus papio macaco-cão   muito comum  
Procolobus badius tamminckii fatango      
         
CARNIVORA        
Aonyx capensis lontra      
Atilax paludinosus cachorro-de-mango   frequente  
Civettictis civetta gato-d'algália   frequente  
Crocuta crocuta hiena    

(3)

Galerella sanguinea mangusto (vermelho)      
Genetta pardina gineto   frequente  
Herpestes ichneumon occidentalis mangusto (cinzento)   frequente  
Ichnaeumia albicauda mangusto (de cauda branca)   frequente

(4)

Mungos gambianus mangusto   raro  
Mungos mungo mangusto      
Nandinia binotata   palmares raro  
Panthera pardus     muito raro  
         
ARTIODACTYLA        
Cephalophus spp. cabras-do-mato floresta densa  

(5)

Kobus ellipsiprymus unctuosus sim-sim    

(6)

Kobus kob kob gazela-de-lala    

(6)

Hippopotamus amphibius hipopótamo, peixe-cavalo lagoas localizado  
Hippotragus equinus koba boca-branca    

(6)

Phacochoerus africanus javali   comum  
Potamochoerus porcus porco-vermelho   comum  
Syncerus caffer brachyceros búfalo; pacaça    

(6)

Tragelaphus scriptus gazela-pintada      
         
ROEDORES        
Anomalurus beecrofti rato-voador    

(7)

Cricetoms gambianus jaquim-doido comum    
Funisciurus pyrrhopus esquilo-arbóreo      
Heliosciurus gambianus esquilo-arbóreo      
Heliosciurus rufobrachium esquilo-arbóreo      
Hystrix cristata porco-espinho      
Thryonomys swinderianus farfana frequente    
Xerus erythropus saninho muito comum    
         
LAGOMORPHA        
Lepus victoriae lebre      
         
PHOLIDOTA        
Manis tetradactyla pangolim      
         
PROBOSCIDEA        
Loxodonta africana cyclotis elefante raro ?  

(8)

         
SIRENIA        
Trichechus senegalensis manatim; peixe-buce raro    
         
TUBULIDENTATA        
Orycteropus afer porco-formiguieiro      

(1) assinalado por Limoges (1989), determinação considerada duvidosa; (2) pernoita nas palmeiras (Elaeis guineensis): (3) provavelmente existente entre Injassane e Bacarconte; (4) muitos dos exemplares da Guiné-Bissau apresentam a particularidade de terem cauda negra; (5) há dados sobre a existência no Parque de 4 espécies: C. dorsalis, C. maxwellii, C. rufilatus e C. sylvicultor, todas críptícas; (6) actualmente raros, sendo duvidosa a sua actual ocorrência no Parque; (7) presença a confirmar; (8) passagem esporádica no Leste do Parque.


Pegadas de chimpanzé (Pan troglodytes) e de outros
mamiferos, nas margens do Rio Corubal
 




Macaco-cão,
Papio cynocephalus papio

 

Aves

A riqueza em avifauna da região do Parque e em especial da Lagoa de Cufada tem sido referida por vários autores ao longo do tempo, como Frade et. al. (1946) " a lagoa é um perfeito viveiro de avifauna, que convém conservar em regime de reserva especial" e Ferreira (1949) "verdadeiro paraíso de avifauna".

Mais recentemente, nas décadas de 1980 e 1990 foram feitos alguns estudos sobre a avifauna da Lagoa ou englobando esta, como Poorter & Zvarts (1984) e Araújo (1994). Assim, as aves são provavelmente o grupo zoológico melhor estudado na área do Parque, e a riqueza em avifauna é um dos motivos principais para a criação desta área protegida.

Araújo (1994) inventariou na Lagoa de Cufada e zonas florestais envolventes 203 espécies de aves. Os censos de aves permitiram classificar a Lagoa como 'site' Ramsar, albergando periodicamente várias espécies de aves aquáticas migratórias, designadamente o pelicano-branco, Pelecanus onocrotalus, o corvo-marinho-africano Phalacrocorax africanus, o colhereiro-africano Platalea alba, a perdiz-do-mar, Glareola pratincola, o ganso-anão, Nettapus auritus, o pato-ferrão Plectupterus gambensis, o mergulhão-serpente, Anhinga rufa, consideradas de importância internacional pela IWRB - Inernational Waterfowl Research Bureau.

Mais informação sobre a avifauna da área do Parque pode ser encontrada nas publicações citadas na ´página 'Links'&Bibliografia.

 


Bando de pelicanos-brancos

 

Répteis e Batráquios

A República da Guiné-Bissau, apesar de mal conhecida a sua herpetofauna, detém uma alta diversidade de Répteis e Batráquios. Estão referidos para o país, em citações antigas, 8 espécies de Batráquios e 63 espécies de Répteis mas, se atendermos áquelas que não incluem específicamente a Guiné-Bissau mas que aí deverão ocorrer dadas as suas características ecológicas e zoogeográficas, teremos de contar mais 12 espécies de Répteis e 16 de Batráquios.

No Parque Natural das Lagoas de Cufada poderão der encontradas várias das espécies da Guiné-Bissau.

Até agora foram aqui observadas:

Répteis Batráquios
Agama agama Bufo regularis
Atractapsis aterrima Hyperolius sp. (grupo viridiflavus)
Boaedon lineatus Phrynobatrachus natalensis
Causus maculatus Ptychadena oxyrhynchus
Crocodylus niloticus Ptychadena spp.
Hemidactylus brookii Xenopus tropicalis
Kinixys belliana nogueyi  
Lygodactylus gutturalis  
Mabuya perrotetii  
Mabuya spp.  
Philothamnus irregularis  
Trionyx triunguis  
Varanus niloticus  
Varanus exanthematicus  

Sem dúvida existirão também no Parque a jibóia (Pyton sebae) e Naja melanoleuca, apesar de as populações aí residentes exerçerem pressão sobre os grandes ofídeos.
Osteolaemus tetraspis (crocodilo-preto), que ainda existe noutros locais da Guiné-Bissau, tem em algumas zonas do Parque boas condições para se instalar.



Kinixys belliana nogueyi

 

Invertebrados

Invertebrados terrestres
Capturas e observações foram levadas a cabo em áreas de floresta seca, em savana e em lalas marginais às lagoas, conquanto dados esporádicos tenham sido obtidos em outros biótopos (naturais ou sujeitos a transformação humana).
Diversos táxones de aracnídeos e de insectos colhidos no interior da área do parque foram já reconhecidos como novidades faunísticas para o país, o que revela por um lado a riqueza em espécies da área e por outro muito provavelmente a falta de conhecimentos sobre a aracnofauna da Guiné-Bissau.
Sabe-se já ocorrerem no Parque representantes de duas Classes de miriápodes (Chilopoda e Diplopoda); embora a prospecção específica de ácaros não tenha sido efectuada, obtiveram-se exemplares deste grupo bem assim como 29 espécies de aranhas (Araneae) e uma de Amblypigida. Entre as várias centenas de espécies de Hexapoda representadas nas capturas diurnas foram obtidos exemplares de insectos pertencentes a 17 Ordens; os insectos com maior número de espécies ao longo do ano integram as Ordens Coleoptera, Lepidoptera, Hymenoptera e Diptera, mas Homoptera e Heteroptera são também muito diversos mas apenas no final da época das chuvas. Os Hymenoptera Formicoidea, conquanto não sde tenha procedido a capturas específicas, são os mais abundantes, representados no entanto por um relativamente baixo número de espécies.

O grupo estudado em maior detalhe até à data no Parque (Lepidoptera: Papilionoidea e Hesperiioidea) permitiu reconhecer, apesar de se tratar de dados preliminares, que:
> entre as 53 espécies de borboletas diurnas 6 constituem novidades faunísticas para a Guiné-Bissau;
> 35 espécies parecem exclusivas ou pelo menos dominantes da estação das chuvas enquanto que apenas 14 o são da época seca;
não foram encontradas grandes diferenças entre a abundância das espécies típicas de floresta e as exclusivas de savana ou lala;
> as espécies encontradas correspondem a uma eleveda percentagem das espécies conhecidas do país e apenas duas famílias (Nymphalidae e Acraeidae) se encontram representadas por menos de metade deste número;
> o mais elevado índice de de diversidade (Shannon-Weaver) foi encontrado para a região de Nhala no final da época das chuvas, o que corrobora os dados obtidos quanto à riqueza de espécies (indices de Margalef e de Menhinick); na zona interpenetram-se floresta seca densa bem preservada, áreas de cultivo e baldios
Do armadilhamento luminoso, efectuado apenas uma noite na região central do Parque, numa clareira em floresta seca, com colheitas horárias do pôr ao nascer do sol, resultou abundante material de Lepidoptera e Coleoptera ainda em estudo. Um primeiro estudo demonstrou a clara ocorrência de picos de actividade para certas espécies.

Algumas borboletas que ocorrem no Parque

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